Tenho medo da palavra verdade. É tão crua. Parece feita de faca. A palavra verdade não permite o erro, daí não conhecer o perdão.
A verdade, se existe, deve ser exagerada demais. É maior que o mar. O mar tem margens e a verdade não.
A verdade não possui fronteiras. A verdade não permite perguntas. A verdade é uma resposta quase falsa. A verdade invade....
Fui criado por via das dúvidas. Quando adoecia, minha mãe chamava o farmacêutico, por via das dúvidas. Mas, por via das dúvidas, acendia uma vela. Por via das dúvidas escaldava um chá. Por via das dúvidas mandava benzer. E eu, por via das dúvidas, voltava a ter saúde. A dúvida me salvou. As pessoas que cismam ter encontrado a verdade me assustam.
(Bartolomeu Campos de Queirós)
"Da covardia que não aceita novas verdades
Da preguiça que só aceita meias verdades
Da arrogância que pensa saber toda a verdade
Ó Senhor, livra-nos."
(Arthur Ford)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dois Poemas de Adélia Prado
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
A SERENATA
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
O silêncio é cúmplice da impunidade.
Denuncie.
Ligação Gratuita: Nacional nº 180
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
A SERENATA
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
(Adélia Prado)
*************************************************************
Violência contra a mulher é crime.O silêncio é cúmplice da impunidade.
Denuncie.
Ligação Gratuita: Nacional nº 180
terça-feira, 2 de março de 2010
SAUDADE
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo.E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
OLHA O COMPADRE AQUI, GAROTO! CUMPRIMENTA A COMADRE.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minhamão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
MAS VAMOS NOS ASSENTAR, GENTE. QUE SURPRESA AGRADáVEL!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim. Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha, geralmente uma das filhas e dizia:
GENTE, VEM AQUI PRA DENTRO QUE O CAFé ESTá NA MESA.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos,leite... tudo sobre a mesa. Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade... Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa.Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte danoite.
O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDãO.
Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa: Vamos marcar uma saída? ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas.Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!
(José Antônio Oliveira de ResendeProfessor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, doDepartamento de Letras, Artes e Cultura,da Universidade Federal de São João del-Rei).
OLHA O COMPADRE AQUI, GAROTO! CUMPRIMENTA A COMADRE.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minhamão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
MAS VAMOS NOS ASSENTAR, GENTE. QUE SURPRESA AGRADáVEL!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim. Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha, geralmente uma das filhas e dizia:
GENTE, VEM AQUI PRA DENTRO QUE O CAFé ESTá NA MESA.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos,leite... tudo sobre a mesa. Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade... Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa.Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte danoite.
O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDãO.
Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa: Vamos marcar uma saída? ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas.Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!
(José Antônio Oliveira de ResendeProfessor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, doDepartamento de Letras, Artes e Cultura,da Universidade Federal de São João del-Rei).
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Milágrimas

Em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema
dê um sorriso ainda que amarelo,
esqueça seu cotovelo
se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre
caso de tristeza
vire a mesa
coma só a sobremesa
coma somente a cereja
jogue para cima
faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas
viva apenas sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena
reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre
mas se apesar de banal chorar for inevitável
sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal gota a gota,
uma a uma duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre a cada mil lágrimas sai um milagre
cante as rimas de um poema
sofra penas
viva apenas sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena
reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre
(Alice Ruiz e Itamar Assumpção)
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema
dê um sorriso ainda que amarelo,
esqueça seu cotovelo
se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre
caso de tristeza
vire a mesa
coma só a sobremesa
coma somente a cereja
jogue para cima
faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas
viva apenas sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena
reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre
mas se apesar de banal chorar for inevitável
sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal gota a gota,
uma a uma duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre a cada mil lágrimas sai um milagre
cante as rimas de um poema
sofra penas
viva apenas sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena
reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre
(Alice Ruiz e Itamar Assumpção)
domingo, 14 de fevereiro de 2010
AMARRA O TEU ARADO A UMA ESTRELA

Se os frutos produzidos pela terra
Ainda não são
Tão doces e polpudos quanto as peras
Da tua ilusão
Amarra o teu arado a uma estrela
E os tempos darão
Safras e safras de sonhos
Quilos e quilos de amor
Noutros planetas risonhos
Outras espécies de dor
Se os campos cultivados neste mundo
São duros demais
E os solos assolados pela guerra
Não produzem a paz
Amarra o teu arado a uma estrela
E aí tu serás
O lavrador louco dos astros
O camponês solto nos céus
E quanto mais longe da terra
Tanto mais longe de Deus
(Gilberto Gil- 1988)
Ainda não são
Tão doces e polpudos quanto as peras
Da tua ilusão
Amarra o teu arado a uma estrela
E os tempos darão
Safras e safras de sonhos
Quilos e quilos de amor
Noutros planetas risonhos
Outras espécies de dor
Se os campos cultivados neste mundo
São duros demais
E os solos assolados pela guerra
Não produzem a paz
Amarra o teu arado a uma estrela
E aí tu serás
O lavrador louco dos astros
O camponês solto nos céus
E quanto mais longe da terra
Tanto mais longe de Deus
(Gilberto Gil- 1988)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
LEMBRETE DO QUINTANA
'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.'
Mário Quintana
*******************************************************************
Caráter é o que somos. Reputação é aquilo que os outros pensam que somos.
As circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação.
A verdade em que você acredita determina seu caráter.
A reputação é o que acham que você é.O caráter é o que você realmente é...
A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova.
O caráter é o que você tem quando vai embora...
A reputação é feita em um momento.
O caráter é construído em uma vida inteira...
A reputação torna você rico ou pobre.
O caráter torna você feliz ou infeliz...
A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura.
O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus.
(William Davis)
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.'
Mário Quintana
*******************************************************************
Caráter é o que somos. Reputação é aquilo que os outros pensam que somos.
As circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação.
A verdade em que você acredita determina seu caráter.
A reputação é o que acham que você é.O caráter é o que você realmente é...
A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova.
O caráter é o que você tem quando vai embora...
A reputação é feita em um momento.
O caráter é construído em uma vida inteira...
A reputação torna você rico ou pobre.
O caráter torna você feliz ou infeliz...
A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura.
O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus.
(William Davis)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Síntese da Felicidade
Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus Não
Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa Um violão Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade Poesia Completa Editora Nova Aguilar - 2002
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus Não
Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa Um violão Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade Poesia Completa Editora Nova Aguilar - 2002
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
MUNDO MODERNO

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutáias, majestoso manicômio.
Meu monólogo, mostra mentiras, mazelas, misérias,massacres, miscigenação, morticínio maior, maldade mundial.
Madrugada... matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado, munido machado, martelo... mochila mucha,margeia mata maior. Manhãzinha move moinho moendo macaxeira, mandioca. Meio dia mata marreco... manjar melhorzinho. Meia noite mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua mas monocórdia, mesmice.
Muitos migram mascilentos, maltrapilhos, morarão modestamente: malocas metropolitanas; mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre... mundo maligno,misturando mendigos maltratados... menores metralhados, militares mandões, meretrizes marafonas, mocinhas, mera meninas... mariposas, mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas... mundo medíocre.
Milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos magnatas manobrando milhões mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise. Mundo maluco, máquina mortífera,mundo moderno melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo.
Merecemos... maldito mundo moderno, mundinho merda.
Meu monólogo, mostra mentiras, mazelas, misérias,massacres, miscigenação, morticínio maior, maldade mundial.
Madrugada... matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado, munido machado, martelo... mochila mucha,margeia mata maior. Manhãzinha move moinho moendo macaxeira, mandioca. Meio dia mata marreco... manjar melhorzinho. Meia noite mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua mas monocórdia, mesmice.
Muitos migram mascilentos, maltrapilhos, morarão modestamente: malocas metropolitanas; mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre... mundo maligno,misturando mendigos maltratados... menores metralhados, militares mandões, meretrizes marafonas, mocinhas, mera meninas... mariposas, mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas... mundo medíocre.
Milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos magnatas manobrando milhões mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise. Mundo maluco, máquina mortífera,mundo moderno melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo.
Merecemos... maldito mundo moderno, mundinho merda.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
ANO NOVO

Vamos renunciar:
À pressa que tanto atrapalha
A impaciência que tanto prejudica
Ao mau-humor que nos incomoda
À palavra inoportuna que a todos magoa
À covardia que nos imobiliza
Ao pessimismo que nos paralisa
Ao rancor que tanto fere
Ao desprezo que a todos toca
Ao descompromisso que,
por onde passa, vai deixando
marcas históricas...
e muito mais.
Que no ANO NOVO, todos nós juntos, anunciemos:
O compromisso com a felicidade
O exercício da alegria e do prazer
A nossa capacidade transformadora
A nossa inquietação com o estabelecido
A consciência de nossos direitos e de nossos deveres
A nossa capacidade de sonhar
O rompimento com antigos paradigmas
A conquista da autonomia
A formulação de novas crenças
A nossa condição se Ser Inacabado
A conquista da autodisciplina
O nosso contínuo estado de Aprendiz
O nosso infinito Conjunto de Possíveis
A conquista do auto-desenvolvimento
A nossa potencialidade de SABER
O nosso desafio de FAZER
A nossa viagem em direção ao SER
E muito mais
A nossa Cidadania
O nosso Amor
O encontro com a PAZ.
sábado, 14 de novembro de 2009
Poema
"Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das drogas mais poderosas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes…
tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma pra sempre..."
(Clarice Lispector)
das bebidas mais amargas,
das drogas mais poderosas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes…
tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma pra sempre..."
(Clarice Lispector)
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO (???)
Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo, por medo.Albert Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: ”Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos”.Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: O povo unido jamais será vencido - é disso que eu tenho medo.
Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o povo tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere. A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos.
E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão.. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: Agora você será minha para sempre...pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras.
As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro “O homem moral e a sociedade imoral” observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se responsáveis por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo...
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia - são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o Volkswagen. Volk, em alemão, quer dizer povo.
O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol...). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de boca-de-forno, à semelhança do que aconteceu na China. De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: Caminhando e cantando e seguindo a canção... Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.
(Ruben Alves - Folha de S. Paulo, 05/05/2002)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
CANÇÃO
Viver não dói.
O que dói é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.
Viver não dói.
O que dói é o tempo,
essa força onírica em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.
Viver não dói.
O que dói é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.
Viver não dói.
O que dói, ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.
Que tudo o mais é perdido.
(Emílio Moura)
O que dói é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.
Viver não dói.
O que dói é o tempo,
essa força onírica em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.
Viver não dói.
O que dói é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.
Viver não dói.
O que dói, ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.
Que tudo o mais é perdido.
(Emílio Moura)
sábado, 31 de outubro de 2009
SOLIDÃO

Eu não vou ficar aqui discorrendo sobre a solidão romântica como se ela fosse uma tese de doutorado nem dizer que preciso me amar para nunca me sentir sozinha (se o Colin Farrell me amasse, também não seria nada mau). Da mesma forma , jamais direi que a falta que eu sinto do amor de um homem pode ser suprida pelo amor a Deus, a meus amigos ou meus animais de estimação. Isso seria a mesma coisa que afirmar “quando você tiver fome, tome um banho”!
Eu tenho náuseas quando alguém me diz: “Ora, por que você esta triste? Você tem saúde: pode trabalhar, andar, ver, ouvir!” Sim, eu tenho saúde, eu caminho, enxergo, ouço – e o que isso tem a ver com a dor de levar um pé nos fundilhos? Posso chorar ou estou proibida pela patrulha do politicamente correto? Será que certos autores de livros de autoajuda vão me fuzilar num paredão por eu afirmar que não posso substituir uma necessidade por outra? A pílula da felicidade que eles não cansam de nos vender não passa de um placebo. A necessidade de algo que transcenda a matéria não pode ser substituída por uma ida ao shopping (e vice-versa), da mesma forma que o fato de alguém ter saúde não aplaca a dor que se sente ao ter o coração partido em duzentos e vinte e cinco mil pedaços. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Algumas pessoas apontam trabalho voluntário como remédio para a solidão romântica, mas que idéia ridícula! E o olhar aliviado de uma pessoa com frio recebendo uma manta vai substituir o roçar sedutor da barba malfeita do homem que eu desejo?
Só existe uma coisa que pode aliviar minha solidão: um romance. Mas o que estou dizendo? Silêncio! Esconda esta lepra emocional, menina. Carência é lepra, sim. Daqui a pouco haverá bunkers nos arredores das grandes cidades nos quais os carentes serão depositados aos borbotões sob a alegação de que poderiam contaminar, com seus queixumes, os seres felizes do planeta. Carência fede. E não há nada, absolutamente nada que afaste mais um homem de que o cheiro nauseabundo de uma mulher carente. Sem perceber, sem desejar, sem nem mesmo conseguir evitar, você se transforma numa vira-lata ansiosa por um naco de osso velho e descarnado. E esse osso está na mão dele.
(Stella Florence)
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Saudade e Lembrança
Saudade e lembrança: podem parecer sinônimos.
Idéia igual, mas diferente no sentir.
Lembrança é da memória, saudade é da alma.
Muitas lembranças, poucas saudades.
Lembranças surgem com um cheiro, uma música, uma palavra.
Saudade surge sozinha, emerge do fundo do peito
Idéia igual, mas diferente no sentir.
Lembrança é da memória, saudade é da alma.
Muitas lembranças, poucas saudades.
Lembranças surgem com um cheiro, uma música, uma palavra.
Saudade surge sozinha, emerge do fundo do peito
onde é guardada com carinho.
Lembrança pode ser boa, mas quando não é,
Lembrança pode ser boa, mas quando não é,
pode-se afastá-la convocando outra lembrança
ou convocando outro pensamento para o lugar,
ligando a TV ou lendo o jornal.
Saudade é sempre boa, mesmo quando dói,
Saudade é sempre boa, mesmo quando dói,
e não se apaga mesmo que outra pessoa
tente ocupar o lugar vazio.
Ela pode coexistir com um novo amor, sem machucá-lo.
Lembrança é de algo real, de um lugar, uma época, uma pessoa.
Saudade pode ser do que não houve, de uma possibilidade,
Lembrança é de algo real, de um lugar, uma época, uma pessoa.
Saudade pode ser do que não houve, de uma possibilidade,
de lábios jamais tocados.
Lembrança pode ser contada, medida, localizada,
Lembrança pode ser contada, medida, localizada,
e com algum esforço,
pode até ser calculada com uma fórmula matemática,
ao gosto dos engenheiros.
Saudade é dos poetas, é pautada em rimas e melodias;
Saudade é dos poetas, é pautada em rimas e melodias;
vontade de ver outra pessoa segundo os poetas,
teria outro nome, seria uma saudade com tempero, eu acho.
Lembrança pode ser sem som, pode não doer.
Saudade jamais é sem som.
Lembrança pode ser sem som, pode não doer.
Saudade jamais é sem som.
Se ela não vier com música de fundo,
a gente coloca, só para ficar mais bonita, mais gostosa de sentir,
para preencher mais a alma vazia.
Lembrança vence a morte, mas conforma-se com a ausência,
Lembrança vence a morte, mas conforma-se com a ausência,
respeita convenções.
Saudade ignora a morte, vence distâncias,
Saudade ignora a morte, vence distâncias,
barreiras e preconceitos.
Lembrança aceita nosso comando,
Lembrança aceita nosso comando,
vai e volta quando queremos.
Saudade é irreverente, independente e auto suficiente.
Saudade é irreverente, independente e auto suficiente.
(Solange Gouvâ)
Assinar:
Postagens (Atom)
