sábado, 3 de julho de 2010

A criança que fui chora na estrada

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

(Fernando Pessoa)

sábado, 12 de junho de 2010

SE É PAIXÃO ME NEGO

Se é paixão, me nego.
Já resvalei a alma em pêlo, nesse áspero despenhadeiro.
Se é paixão, não quero.
Conheço seus espinhos de mel,
sei aonde conduz embora prometa os céus.
Se é paixão, desculpe-me, não posso.
Conheço suas insônias e a obsessão.
Se é paixão me vou, não devo...
não adiantam teus apelos.
Resistirei, porque aí morri mil vezes.
Paixão é arma de três gumes,
e ao seu corte estou imune.
Se é paixão, me nego e não receio que me acuses
de medo.
Do desvario conheço todos os segredos.
Se é paixão recuso-me e sinto muito,
pois foi a custo que saí do labirinto.
(Afonso Romano Sant'Anna)


ENTREVISTA

Telefonam-me do jornal:
-Fale de amor-diz o repórter, como se falassedo assunto mais banal.
-Do amor? -Me rio informal.
Mas ele insiste:-Fale-me de amor-sem saber, displicente,que essa palavra é vendaval.
-Falar de amor?-Pondero: o que está querendo, afinal?
Quer me expor no circo da paixão como treinado animal?
-Fala...-insiste o outro - Qualquer coisa.
Como se o amor fosse“qualquer coisa”prá se embrulhar no jornal.
-Fale bem, fale mal,uma coisa rapidinha-ele insiste,
como se ignorasse que as feridas de amor
não se lavam com água e sal.
Ele perguntando eu resistindo,
porque em matéria de amor e de entrevista
qualquer palavra mal dita é fatal.
(Afonso Romano Sant'Anna)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Publicidade

Campanha publicitária do CityBank espalhada pela cidade de São Paulo através de Outdoors, em 2009.

"Crie filhos em vez de herdeiros."
"Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
"Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."
"Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
" Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
"Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
"Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
"Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."

"Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

AMOR

Não existe dificuldade que amor bastante não possa conquistar;
Nem enfermidade que bastante amor não possa curar;
Não há porta que não se abra, com bastante amor;
Nem abismo que, com bastante amor, não se possa atravessar;
Nem muro que, com bastante amor, não se possa destruir;
Nem pecado que, com bastante amor, não se logre redimir.

Não importa quão profundas raízes tenha o problema,
Nem o desespero das perspectivas, nem o turvo do conflito,
Nem a monstruosidade do erro cometido.
Com bastante amor, tudo se dissolverá;
Se você pudesse apenas amar suficientemente,
Tornar-se-ia o Ser mais feliz e mais poderoso do mundo.
(Emmett Fox)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tenho medo da palavra Verdade

Tenho medo da palavra verdade. É tão crua. Parece feita de faca. A palavra verdade não permite o erro, daí não conhecer o perdão.
A verdade, se existe, deve ser exagerada demais. É maior que o mar. O mar tem margens e a verdade não.
A verdade não possui fronteiras. A verdade não permite perguntas. A verdade é uma resposta quase falsa. A verdade invade....

Fui criado por via das dúvidas. Quando adoecia, minha mãe chamava o farmacêutico, por via das dúvidas. Mas, por via das dúvidas, acendia uma vela. Por via das dúvidas escaldava um chá. Por via das dúvidas mandava benzer. E eu, por via das dúvidas, voltava a ter saúde. A dúvida me salvou. As pessoas que cismam ter encontrado a verdade me assustam.

(Bartolomeu Campos de Queirós)


"Da covardia que não aceita novas verdades
Da preguiça que só aceita meias verdades
Da arrogância que pensa saber toda a verdade
Ó Senhor, livra-nos."
(Arthur Ford)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dois Poemas de Adélia Prado

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


A SERENATA

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?


(Adélia Prado)

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Violência contra a mulher é crime.
O silêncio é cúmplice da impunidade.
Denuncie.
Ligação Gratuita: Nacional nº 180

terça-feira, 2 de março de 2010

SAUDADE

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo.E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
OLHA O COMPADRE AQUI, GAROTO! CUMPRIMENTA A COMADRE.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minhamão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
MAS VAMOS NOS ASSENTAR, GENTE. QUE SURPRESA AGRADáVEL!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim. Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha, geralmente uma das filhas e dizia:
GENTE, VEM AQUI PRA DENTRO QUE O CAFé ESTá NA MESA.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos,leite... tudo sobre a mesa. Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade... Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa.Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte danoite.
O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDãO.
Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa: Vamos marcar uma saída? ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas.Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!

(José Antônio Oliveira de ResendeProfessor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, doDepartamento de Letras, Artes e Cultura,da Universidade Federal de São João del-Rei).

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Milágrimas


Em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema
dê um sorriso ainda que amarelo,
esqueça seu cotovelo

se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre

caso de tristeza
vire a mesa
coma só a sobremesa
coma somente a cereja
jogue para cima
faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas
viva apenas sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena
reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre

mas se apesar de banal chorar for inevitável
sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal gota a gota,
uma a uma duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre a cada mil lágrimas sai um milagre
cante as rimas de um poema
sofra penas
viva apenas sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena
reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre

(Alice Ruiz e Itamar Assumpção)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

AMARRA O TEU ARADO A UMA ESTRELA


Se os frutos produzidos pela terra
Ainda não são
Tão doces e polpudos quanto as peras
Da tua ilusão
Amarra o teu arado a uma estrela
E os tempos darão
Safras e safras de sonhos
Quilos e quilos de amor
Noutros planetas risonhos
Outras espécies de dor
Se os campos cultivados neste mundo
São duros demais
E os solos assolados pela guerra
Não produzem a paz
Amarra o teu arado a uma estrela
E aí tu serás
O lavrador louco dos astros
O camponês solto nos céus
E quanto mais longe da terra
Tanto mais longe de Deus
(Gilberto Gil- 1988)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

LEMBRETE DO QUINTANA

'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.'
Mário Quintana

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Caráter é o que somos. Reputação é aquilo que os outros pensam que somos.
As circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação.
A verdade em que você acredita determina seu caráter.
A reputação é o que acham que você é.O caráter é o que você realmente é...
A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova.
O caráter é o que você tem quando vai embora...
A reputação é feita em um momento.
O caráter é construído em uma vida inteira...
A reputação torna você rico ou pobre.
O caráter torna você feliz ou infeliz...
A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura.
O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus.
(William Davis)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Síntese da Felicidade

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus Não
Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa Um violão Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade Poesia Completa Editora Nova Aguilar - 2002

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

MUNDO MODERNO


Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutáias, majestoso manicômio.
Meu monólogo, mostra mentiras, mazelas, misérias,massacres, miscigenação, morticínio maior, maldade mundial.
Madrugada... matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado, munido machado, martelo... mochila mucha,margeia mata maior. Manhãzinha move moinho moendo macaxeira, mandioca. Meio dia mata marreco... manjar melhorzinho. Meia noite mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua mas monocórdia, mesmice.
Muitos migram mascilentos, maltrapilhos, morarão modestamente: malocas metropolitanas; mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre... mundo maligno,misturando mendigos maltratados... menores metralhados, militares mandões, meretrizes marafonas, mocinhas, mera meninas... mariposas, mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas... mundo medíocre.
Milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos magnatas manobrando milhões mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise. Mundo maluco, máquina mortífera,mundo moderno melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo.
Merecemos... maldito mundo moderno, mundinho merda.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ANO NOVO



Vamos renunciar:
À pressa que tanto atrapalha
A impaciência que tanto prejudica
Ao mau-humor que nos incomoda
À palavra inoportuna que a todos magoa
À covardia que nos imobiliza
Ao pessimismo que nos paralisa
Ao rancor que tanto fere
Ao desprezo que a todos toca
Ao descompromisso que,
por onde passa, vai deixando
marcas históricas...
e muito mais.


Que no ANO NOVO, todos nós juntos, anunciemos:
O compromisso com a felicidade
O exercício da alegria e do prazer
A nossa capacidade transformadora
A nossa inquietação com o estabelecido
A consciência de nossos direitos e de nossos deveres
A nossa capacidade de sonhar
O rompimento com antigos paradigmas
A conquista da autonomia
A formulação de novas crenças
A nossa condição se Ser Inacabado
A conquista da autodisciplina
O nosso contínuo estado de Aprendiz
O nosso infinito Conjunto de Possíveis
A conquista do auto-desenvolvimento
A nossa potencialidade de SABER
O nosso desafio de FAZER
A nossa viagem em direção ao SER
E muito mais
A nossa Cidadania
O nosso Amor
O encontro com a PAZ.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009




"Abençoado seja o Natal pois envolve todo mundo em uma conspiração de amor"


(H.Wright)


sábado, 14 de novembro de 2009

Poema

"Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das drogas mais poderosas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes…
tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma pra sempre..."

(Clarice Lispector)